Tenho expectativas que esta viagem seja a fase final de preparo para esta nova vida. Que me ajude a me enxergar melhor, e reaprender sobre mim mesma, sobre o que eu gosto e não gosto e o eu que quero para o meu futuro. Afinal, durante este tempo eu serei uma pessoa meio que no limbo, sem emprego para voltar, sem endereço, sem dependentes e com toda liberdade do mundo para escolher os próximos passos. Acredito que esta situação de indefinição sobre tudo, sem amarras, pode ser muito benéfica no processo de auto-conhecimento.
Interessante que ao meu filho mais novo se formar e conseguir seu primeiro emprego na sua área de atuação, eu me tornei pela primeira vez em 31 anos, sem ter mais ninguém que dependesse financeiramente de mim. Pela primeira vez em 31 anos, eu tenho meu salário só para mim. Isso é muito bom por um lado, principalmente porque me traz a sensação de missão cumprida, mas por outro me tira fortes propósitos que sempre me motivaram até então. Isso me lembra o livro "A insustentável leveza do ser", publicado em 1984 por Milan Kundera, que li há muitos anos atrás.
"Kundera desloca a dualidade do peso e da leveza para uma perspectiva existencial, mesclando-a ao problema da liberdade humana em uma perspectiva próxima à problemática do existencialismo. Para Kundera, a leveza decorre de uma vida levada sob o teto da liberdade descompromissada. A leveza segue-se de um não-engajamento, um não-comprometimento com situações quaisquer, aproximando-se, nesse sentido, das ideias de Jean-Paul Sartre sobre a condição humana. O personagem Tomas é a metáfora através da qual Kundera ilustra as consequências existenciais do comprometimento da liberdade para com uma situação qualquer - no caso, o vínculo afetivo com Teresa. A partir de então Tomas experimenta o peso do comprometimento, peso opressivo de um engajamento qualquer, uma situação qualquer. A leveza, porém, despe a vida de seu sentido. O peso do comprometimento é uma âncora que finca a vida a uma razão de ser, qualquer, que se constrói - sob uma perspectiva existencialista, evidentemente."
E foi por causa deste livro que eu carreguei por anos a vontade de conhecer a cidade de Praga, onde a história de Kundera se passa, durante o período chamado de a "Primavera de Praga".
Vou comentar mais sobre Praga nos próximos posts em que eu estarei comentando sobre cada lugar que vou visitar e o que eu pretendo ver em cada um deles.
Vou comentar mais sobre Praga nos próximos posts em que eu estarei comentando sobre cada lugar que vou visitar e o que eu pretendo ver em cada um deles.
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